Você sente dor glútea? Entenda a Síndrome do Piriforme

Dr. Ricardo Kirihara • 25 de março de 2021
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A síndrome do piriforme, também conhecida como “dor glútea profunda”, é uma condição na qual o músculo piriforme, localizado na região das nádegas, pode ter espasmos.

Assim, o músculo piriforme pode também irritar o nervo ciático, que está anatomicamente próximo, podendo causar dor, dormência e formigamento ao longo da parte posterior da perna e no pé. Esses sintomas simulam a dor ciática.

O que é o músculo piriforme?

O músculo piriforme é um pequeno músculo localizado profundamente na nádega que começa na parte inferior da coluna e se conecta à superfície superior do fêmur.

Tem uma posição diagonal e o nervo ciático corre verticalmente diretamente abaixo dele. No entanto, existem pessoas com variação anatômica com o nervo passando por meio do músculo.

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O piriforme auxilia na estabilização pélvica, auxilia na rotação do quadril e na rotação externa da perna e do pé.

A inflamação deste músculo é mais comum entre atletas que exercitam muito as pernas, como corredores e ciclistas.

Além disso, ela atinge três vezes mais as mulheres do que os homens, além de ser comum na terceira idade, quando as pessoas têm menor flexibilidade e ficam sentadas por mais tempo.

Por que ocorre a Síndrome do Piriforme?

As causas exatas da síndrome do piriforme são desconhecidas.

No entanto, as causas suspeitas incluem:

  • Espasmo muscular no músculo piriforme, seja por irritação no próprio músculo piriforme ou de uma estrutura próxima, como por exemplo, a articulação sacroilíaca ou o quadril;
  • Tensão muscular;
  • Edema do músculo piriforme;
  • Sangramento na área do músculo piriforme.

Qualquer um dos problemas acima, ou a combinação deles, pode afetar o músculo piriforme.

Assim, estas condições, além da dor nas nádegas, podem afetar o nervo ciático adjacente e causar o formigamento ou dormência na parte posterior da coxa, panturrilha e do pé.

Quais são os sintomas da Síndrome do Piriforme? 

Mais comumente, os pacientes descrevem alteração de sensibilidade aguda nas nádegas e dor semelhante à ciática na parte posterior da coxa, panturrilha e pé.

Assim, os sintomas típicos da síndrome do piriforme podem incluir:

  • Dor nas nádegas, na parte de trás da coxa, panturrilha e pé (ciática);
  • Dor ao subir escadas ou inclinações;
  • Aumento da dor após ficar sentado por muito tempo;
  • Amplitude de movimento reduzida da articulação do quadril.

Os sintomas da síndrome do piriforme geralmente pioram após sentar, caminhar ou correr por muito tempo e podem melhorar após deitar de costas.

Como serão os exames para diagnosticar a Síndrome do Piriforme?

O diagnóstico da síndrome do piriforme é baseado na história clínica do paciente, no exame físico e, possivelmente, em testes de diagnóstico.

Normalmente, este é um diagnóstico feito por meio de um processo de exclusão de outras possíveis condições que podem estar causando os sintomas do paciente, como por exemplo, uma hérnia de disco lombar ou disfunção da articulação sacroilíaca.

Assim, no exame físico realizamos alguns testes do quadril e das pernas para verificar se o movimento causa aumento da dor lombar ou dor nas extremidades inferiores (dor ciática).

Normalmente, na síndrome do piriforme, o movimento do quadril recria a dor.

Além disso, o exame também pode identificar ou descartar outras possíveis causas da dor ciática, com testes de sensibilidade local e força muscular.

Nos exames de imagem, como a radiografia e ressonância magnética, é difícil de detectar se o nervo ciático está sendo irritado no músculo piriforme.

No entanto, fazemos estes exames para excluir outras condições que podem causar sintomas semelhantes à síndrome do piriforme.

Um dos grandes problemas da síndrome é justamente seu difícil diagnóstico e confusão com outras doenças dessa área, o que compromete o tratamento correto.

Como é o tratamento? 

Após chegarmos no diagnóstico correto, iniciaremos o tratamento com medicamentos para alívio da dor. Além disso, recomendamos a aplicação de gelo no local por 20 minutos a cada 2 a 4 horas.

Normalmente, associamos este tratamento à fisioterapia para auxiliar o processo de recuperação e buscar o reequilíbrio muscular com alongamentos e exercícios de fortalecimento bem orientados.

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No geral, a grande maioria dos pacientes melhora com o tratamento conservador.

Outro procedimento que também podemos utilizar é a infiltração , que consiste na aplicação de medicamentos diretamente no ponto da dor.

Da mesma forma, terapias alternativas, como a acupuntura e a massoterapia, são bons aliados no combate dos sintomas.

Além disso, um procedimento moderno é a utilização de toxina botulínica (botox) para a imobilização do músculo piriforme. Dessa forma, ele para de se contrair e diminui o atrito com o nervo ciático.

Podemos contar também com a estimulação elétrica nas nádegas com uma unidade de estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) ou estimulador de corrente interferencial (IFC) para ajudar a bloquear a dor e reduzir o espasmo muscular relacionado à síndrome do piriforme.

O tratamento de ondas de choque na região pode ser muito útil.

Em linhas gerais, o tratamento cirúrgico raramente é necessário sendo reservado aos casos refratários ao tratamento conservador.

Então, nestes casos podemos fazer a exploração aberta da região acometida e soltura do nervo ciático, ou fazer uma tenotomia (corte do tendão) do músculo piriforme.

Ademais, a técnica endoscópica foi desenvolvida recentemente e também parece trazer bons resultados em casos selecionados.

Existe alguma forma de prevenir a Síndrome do Piriforme?

A prevenção da síndrome do piriforme pode ser feita com a inclusão de exercícios de alongamento na rotina de treino, bem como com a execução de exercícios de fortalecimento da musculatura da região do glúteo.

Além disso, para quem trabalha muito tempo sentado, é fundamental fazer pausas e se movimentar.

Dicas de alongamentos

  • Duas maneiras para alongamento do piriforme:

Deite-se de costas com os pés apoiados no chão e os joelhos dobrados. Puxe o joelho direito até o peito, segure o joelho com a mão esquerda e puxe-o em direção ao ombro esquerdo e segure o alongamento. Então, repita para cada lado.

Deite-se de costas com os pés apoiados no chão e os joelhos dobrados. Descanse o tornozelo da perna direita sobre o joelho da perna esquerda. Puxe a coxa esquerda em direção ao peito e segure o alongamento. Assim, repita para cada lado.

Cada alongamento do piriforme deve ser mantido por 5 segundos para começar e, gradualmente, aumentado para até 30 segundos.

Além disso, esta série deve ser repetida três vezes ao dia.

  • Duas maneiras de alongar os isquiotibiais:

Coloque duas cadeiras frente a frente. Sente-se em uma cadeira e coloque o calcanhar de uma perna na outra cadeira. Incline-se para a frente flexionando os quadris até sentir um alongamento suave ao longo da parte de trás da coxa e mantenha o alongamento.

Deite-se de costas com as duas pernas retas. Puxe uma perna para cima e endireite-se segurando uma toalha enrolada atrás do pé até sentir um leve alongamento na parte de trás da coxa.

Mais uma vez, tente manter cada alongamento por 30 segundos e repita-os três vezes ao dia.

Como vimos, o diagnóstico adequado da síndrome do piriforme demanda uma investigação aprofundada para que possamos iniciar o tratamento adequado.

Caso você esteja com os sintomas que descrevemos neste artigo, não deixe de procurar um ortopedista especialista em quadril para lhe auxiliar.

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